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b'Esta obra, proposta atrav\xe9s de uma metodologia qualitativa, parte de um diagn\xf3stico do presente, apresentando o expansionismo penal e o encarceramento em massa como tecnologias de governo que s\xe3o criadas ou implementadas atrav\xe9s do discurso da superioridade de ra\xe7as at\xe9 chegar no seu extremo, que \xe9 a pol\xedtica de morte. Partindo de um estado de exce\xe7\xe3o, onde as decis\xf5es s\xe3o tomadas fora da legalidade, o poder estatal se manifesta como o poder de decidir quem deve viver ou morrer. Nesse sentido, utiliza-se o pensamento de Achille Mbembe para pensar as implica\xe7\xf5es entre uma necropol\xedtica e um racismo de estado. Para Mbembe, que se prop\xf5e a refletir sobre esta injun\xe7\xe3o e articula\xe7\xe3o entre um poder sobre a vida e uma pol\xedtica de morte necropol\xedtica, a no\xe7\xe3o de biopoder de Foucault n\xe3o \xe9 suficiente para explicar as formas contempor\xe2neas de submiss\xe3o da vida ao poder de morte. As reflex\xf5es filos\xf3ficas que embasam esse ensaio oferecem subs\xeddio para pensar nas pr\xe1ticas de racismo no Brasil, que perpassam desde a intoler\xe2ncia religiosa \xe0 criminaliza\xe7\xe3o e encarceramento da popula\xe7\xe3o negra, \xe0 sua ostensiva elimina\xe7\xe3o. \xc9 preciso compreender para al\xe9m dos n\xfameros cortantes das estat\xedsticas como o racismo se institui como ordem e naturaliza\xe7\xe3o, perpetuando uma l\xf3gica de elimina\xe7\xe3o do outro pela morte. Visando explicitar a epistemologia que sustenta essa narrativa, o presente trabalho abordar\xe1 o conceito de colonialidade e suas manifesta\xe7\xf5es no poder e saber, demonstrando que a pr\xe1tica estabelecida parte de um pensamento ocidental de domina\xe7\xe3o que se funda na ra\xe7a enquanto par\xe2metro definidor de domina\xe7\xe3o ou subjuga\xe7\xe3o, pois, cria no negro um simulacro que representa perigo e amea\xe7a. Para tanto, ser\xe3o usadas leituras de Achille Mbembe e Frantz Fanon sobre ra\xe7a, racismo e a linha da humanidade que define a zona do ser e a do n\xe3o-ser, que inferioriza e nega a condi\xe7\xe3o de sujeito de direito do indiv\xedduo definido como pertencente dessa zona. Ao ter sua condi\xe7\xe3o de sujeito de direito negada e sua pr\xf3pria humanidade questionada, as viol\xeancias praticadas contra esse povo passa a ser permitida e fomentada. Por fim, discutido sobre como a teoria de Direitos Humanos euroc\xeantrica estabelecida n\xe3o se adequa a realidade perif\xe9rica e n\xe3o chega \xe0 popula\xe7\xe3o negra sen\xe3o na condi\xe7\xe3o de instrumento repressor.'