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b'A liberdade de manifesta\xe7\xe3o do pensamento \xe9 um direito assegurado pelo legislador constituinte brasileiro, que ratificou importantes Declara\xe7\xf5es de Direitos e Constitui\xe7\xf5es de pa\xedses democr\xe1ticos. Trata-se, portanto, de uma das premissas mais relevantes para a pluralidade de ideias, de objetivos e de expectativas em uma democracia.No Brasil, o poder emana do povo, ou seja, o soberano \xe9 justamente aquele que, por meio do voto, escolhe quem, em nome dele, representar\xe1 o Estado Brasileiro (Presidente da Rep\xfablica), o estado-membro (senadores) e o povo (deputados). Como a pr\xf3pria Constitui\xe7\xe3o Federal assegura, o poder pode ser exercido por representantes eleitos ou diretamente pelo soberano, por meio de referendos, plebiscitos e projetos de iniciativa popular.Na busca pelo princ\xedpio da isonomia, nem sempre o candidato que conquistou o voto do eleitor \xe9 escolhido para represent\xe1-lo, uma vez que a equa\xe7\xe3o matem\xe1tica para definir a representatividade, criada com o intuito de equidade, apresenta quest\xf5es controversas. Nesse caso, a representa\xe7\xe3o se d\xe1 atrav\xe9s da coliga\xe7\xe3o e dos acordos feitos na campanha eleitoral, a maioria alheios ao conhecimento e, sobretudo, \xe0 opini\xe3o do eleitor. Al\xe9m deste, existem ainda outros aspectos, amplamente discutidos, em que se p\xf5e em d\xfavida o verdadeiro ideal de democracia e de representatividade ligados \xe0 briga pelas prerrogativas constitucionais dadas aos partidos como tempo de r\xe1dio e TV na propaganda eleitoral e recursos do Fundo Partid\xe1rio e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha FEFC, criado em 2018, com remanejamento de verbas da antiga propaganda partid\xe1ria e de emendas parlamentares.H\xe1, nesse sentido, uma ampla crise de representatividade, de legitimidade, de participa\xe7\xe3o e de reconhecimento do eleitor com o seu sistema. E isto se d\xe1, em grande parte, tamb\xe9m em raz\xe3o da aus\xeancia de pol\xedticas p\xfablicas que possam atender, ainda que em pequen\xedssima escala, os anseios populares e os direitos sociais fundamentais \xe0 educa\xe7\xe3o, \xe0 sa\xfade, \xe0 alimenta\xe7\xe3o, \xe0 moradia, \xe0 seguran\xe7a p\xfablica, ao transporte, ao lazer, ao trabalho etc., todos previstos pelo legislador constitucional.O per\xedodo de grandes transforma\xe7\xf5es tecnol\xf3gicas no qual a informa\xe7\xe3o \xe9 abundante permite ao cidad\xe3o ter ampliada a capacidade de manifestar sua opini\xe3o, seja ela de esperan\xe7a ou de indigna\xe7\xe3o, por uma agenda nacional ou internacional, por melhores pr\xe1ticas p\xfablicas e aplica\xe7\xe3o correta de verbas do contribuinte. A nova arquitetura de participa\xe7\xe3o no contexto democr\xe1tico, aliada \xe0s for\xe7as que t\xeam revolucionado especialmente o setor privado, como a tecnologia, a globaliza\xe7\xe3o e a opini\xe3o dos consumidores, tamb\xe9m chegaram ao Estado.A obriga\xe7\xe3o de reinvent\xe1-lo emerge de forma a colocar em risco a autoridade e a seguran\xe7a que o Leviat\xe3 Hobbesiano, atrav\xe9s do contrato social, havia prometido no s\xe9culo XVII. Os in\xfameros casos de corrup\xe7\xe3o, o foro privilegiado e, por conseguinte, a impunidade e as decis\xf5es que mudam ao sabor do r\xe9u e das circunst\xe2ncias proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, s\xe3o alguns dos aspectos que desnudam as raz\xf5es pelas quais o pa\xeds, com tanta riqueza, n\xe3o oferece a seus cidad\xe3os o m\xednimo devido \xe0 sobreviv\xeancia.\nAparentemente, a promessa do mundo conectado em prol de melhorias para o eleitor apresenta alguns problemas democr\xe1ticos. A liberdade da escolha parece amea\xe7ada pelo mesmo desejo de estar conectado. S\xe3o programa\xe7\xf5es algor\xedtmicas das quais n\xe3o se tem ideia dos crit\xe9rios utilizados e objetivos para os quais s\xe3o elaborados e lan\xe7ados ao p\xfablico, de forma manipulada; rob\xf4s contratados para viralizar propaganda eleitoral e fake news; programa\xe7\xf5es nebulosas com intuito de manipular a opini\xe3o p\xfablica em prol de interesses dos candidatos. O que parecia fic\xe7\xe3o cient\xedfica \xe9 realidade e est\xe1 impregnada nos processos eleitorais. As plataformas, enfim, demonstraram sua for\xe7a. \xc9 o poder do capital constru\xeddo no conhecimento de sistemas tecnol\xf3gicos a servi\xe7o das velhas pr\xe1ticas da pol\xedtica.O Livro: INTELIG\xcaNCIA ARTIFICIAL NAS CAMPANHAS ELEITORAIS: A democracia das plataformas no banco dos r\xe9us, traz \xe0 lume discuss\xf5es e reflex\xf5es oportunas acerca da Liberdade de Manifesta\xe7\xe3o, da Escolha do Voto e das influ\xeancias positivas e negativas que as redes sociais est\xe3o trazendo \xe0 democracia brasileira. \xc9 um livro dividido em quatro cap\xedtulos: a) Democracia na Web; b) Liberdade de manifesta\xe7\xe3o: direito fundamental; c) A democracia das plataformas; d) Abuso de poder, regula\xe7\xe3o da Internet e Responsabilidade de eleitor; Sugere-se, ao final, a cria\xe7\xe3o de uma nova forma de abuso de poder: o tecnol\xf3gico. Como identificar esse abuso e trat\xe1-lo \xe0 luz da legisla\xe7\xe3o, s\xe3o algumas das an\xe1lises que a autora prop\xf5e.'