Tu carrito esta vacio.
Libro disponible en 5 dias hábiles.
b'A velhice, atravessada por enfermidades graves, exp\xf5e o constante entrechoque entre vida e morte. O transcurso inexoravelmente progressivo de uma doen\xe7a cr\xf4nico-degenerativa mobiliza o idoso a confrontar-se com um paradoxo: por um lado, a amea\xe7a de aniquilamento provoca dor, ang\xfastia e sofrimento, enquanto que, por outro, impele-o \xe0 tend\xeancia de ressignificar sua exist\xeancia, redimensionando perspectivas na busca de um sentido para o viver. A inquietude frente ao insond\xe1vel limite da vida, radicalizada na consci\xeancia da pr\xf3pria mortalidade, exige dos sujeitos idosos assumir uma posi\xe7\xe3o frente \xe0quilo que os aflige. Este trabalho objetiva, pois, compreender os modos de subjetiva\xe7\xe3o de idosos portadores de doen\xe7as cr\xf4nico-degenerativas ante o envelhecer, o adoecer e o morrer. Situa-se a velhice no campo da \xe9tica, da est\xe9tica e das estiliza\xe7\xf5es da exist\xeancia. Sob essa \xf3tica, encontramos em seus discursos circunscri\xe7\xf5es dos modos singulares de se subjetivarem, de produzir suas exist\xeancias e de posicionarem-se perante a vida e a morte. A produ\xe7\xe3o desses modos pr\xf3prios de subjetivar-se est\xe1 pautada num modelo \xe9tico-est\xe9tico e pol\xedtico. Os idosos entrevistados procuravam re (criar) e re (inventar) suas pr\xf3prias velhices; buscavam a inven\xe7\xe3o de si mesmos como uma obra de arte, construindo e conferindo \xe0 vida um estilo particular. Lan\xe7amos o olhar para a velhice pelo vi\xe9s das artes de viver sustentadas pelo cuidado de si, que passa tamb\xe9m pelo imperioso cuidar do outro.'