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b'Jo\xe3o da Silva Correia, autor de Unhas Negras (1953), escreveu durante a Segunda Guerra Mundial palestras contra o nazismo lidas ao vivo pela r\xe1dio BBC, de Londres, sob o pseud\xf4nimo Jo\xe3o Ningu\xe9m. O romance trata de des(en)cobrir a hist\xf3ria subterr\xe2nea dos oper\xe1rios chapeleiros da cidade portuguesa de S\xe3o Jo\xe3o da Madeira. Partindo do princ\xedpio de se tratar de um romance neorrealista e da hip\xf3tese de que o movimento neorrealista portugu\xeas procurou, de maneira peculiar, restituir voz aos emudecidos da hist\xf3ria, aos vencidos de que fala Walter Benjamin, ou desvelar o testemunho mudo a que se refere Jacques Ranci\xe8re, aqui tamb\xe9m s\xe3o analisados o contexto hist\xf3rico em que viveram esses oper\xe1rios e a pr\xf3pria mundivid\xeancia de Jo\xe3o da Silva Correia, testemunho memorial e ocular da realidade passada de sacrif\xedcios e opress\xe3o na ind\xfastria chapeleira local, em um tempo de indignidade, explora\xe7\xe3o brutal, experi\xeancia devastada e aus\xeancia de direitos. A hist\xf3ria particular desses oper\xe1rios nos idos de 1914, conhecidos como unhas negras, faz parte tamb\xe9m da hist\xf3ria maior do s\xe9culo XX comentada por Susan Buck-Morss, a de um mundo de sonho cuja utopia das massas esfacelou-se sob a cat\xe1strofe do pesadelo desenvolvimentista, do progresso e da ind\xfastria, ou a da distopia econ\xf4mica disfar\xe7ada de democracia apontada por Alain Badiou.'
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