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b'As situa\xe7\xf5es descritas no livro s\xe3o articuladas a partir de dois conceitos-chave mobilizados pelo autor: "mercadoria pol\xedtica", proposto pelo soci\xf3logo Michel Misse (1997), e "arrego", trabalhado analiticamente pelo antrop\xf3logo Lenin Pires (2010). Ambos os conceitos contribuem para pensar, neste livro, as formas de negocia\xe7\xe3o da lei e das atividades de policiamento e registro policial. \xcdtalo Ferreira narra diversas situa\xe7\xf5es demonstrando como a din\xe2mica das rela\xe7\xf5es entre policiais militares e traficantes ou "suspeitos", mas tamb\xe9m entre os pr\xf3prios agentes, nas suas diferentes fun\xe7\xf5es e hierarquias, se configurava em trocas il\xedcitas que tinham a viol\xeancia como principal objeto de negocia\xe7\xe3o. A realiza\xe7\xe3o, ou n\xe3o, de bailes funk; o uso e/ou ostenta\xe7\xe3o de armas; a realiza\xe7\xe3o, ou n\xe3o, de opera\xe7\xf5es policiais; o registro, ou n\xe3o, do material apreendido; o esp\xf3lio de guerra; a vida ou morte de envolvidos na forma de autos de resist\xeancia; a forma de registrar os procedimentos; a publiciza\xe7\xe3o, ou n\xe3o, na m\xeddia; e a puni\xe7\xe3o, ou n\xe3o, dos agentes, se constituem como atividades sujeitas a uma "\xe9tica policial", que, como sugeriu Roberto Kant de Lima (1995, p. 65), representa um conjunto de regras e valores que regulam e orientam as a\xe7\xf5es policiais de acordo com uma interpreta\xe7\xe3o aut\xf4noma da lei que, inclusive, muitas vezes a contradiz, mas que resulta leg\xedtima aos olhos da institui\xe7\xe3o e, principalmente, da corpora\xe7\xe3o.(Professora Dra. Luc\xeda Eilbaum Universidade Federal Fluminense).'