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b'Este livro aborda o aprisionamento de travestis no Cear\xe1 a partir de um trabalho de campo etnogr\xe1fico em que o pesquisador tamb\xe9m atua como policial penal. Entende a pris\xe3o n\xe3o como um espa\xe7o isolado da sociedade, mas como espa\xe7o poroso no interior de um dispositivo de governo regulando corpos, sexualidades e objetos: um territ\xf3rio integrante da sociedade que, historicamente, nega \xe0s travestis o direito \xe0 cidadania. A an\xe1lise est\xe1 ancorada em uma etnografia que, ao longo da sua produ\xe7\xe3o, se tornou multissituada, realizada em tr\xeas penitenci\xe1rias cearenses. As discuss\xf5es s\xe3o desenvolvidas a partir de intensas interlocu\xe7\xf5es com pessoas em cen\xe1rios diversos, tecidas desde o percurso profissional do pesquisador ao trabalho de campo realizado nos m\xfaltiplos espa\xe7os onde transitam os/as interlocutores/as. A an\xe1lise do conjunto do material etnogr\xe1fico relevou que a din\xe2mica institucional e das fac\xe7\xf5es interfere diretamente na vida das travestis privadas de liberdade, regulando os fluxos de objetos e signos que foram performatizados na constru\xe7\xe3o das suas travestilidades e tamb\xe9m a manuten\xe7\xe3o dos relacionamentos com companheiros da liberdade. O car\xe1ter dessemelhante das diretrizes institucionais que envolve o encarceramento de travestis materializa, em sujeitos diferentes que vivenciam uma condi\xe7\xe3o semelhante, os par\xe2metros antag\xf4nicos do Estado nos direcionamentos das pol\xedticas p\xfablicas.'