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b'Este volume re\xfane uma sele\xe7\xe3o de poemas compreendidos no primeiro volume do autor, HUD, de 2021, que \xe9 composto de quatro livros, o segundo deles se intitulando exatamente Blue Screen, em alus\xe3o ao referido erro do Windows, a Tela Azul da Morte. HUD \xe9 acr\xf4nimo de head-up display, um aparelho cujo uso nasceu no \xe2mbito da aeron\xe1utica militar com a fun\xe7\xe3o de permitir aos pilotos lerem algumas informa\xe7\xf5es \xfateis \xe0 condu\xe7\xe3o da aeronave, sem precisarem afastar o olhar da sua frente, atrav\xe9s de um monitor posto ao modo de uma viseira. De forma que o head-up display \xe9 um dispositivo que opera uma proje\xe7\xe3o. E aqui est\xe1 a resposta \xe0 pergunta: os poemas deste livro saem do head-up display usado por Silvio Cesar Alves para projetar nos seus versos possibilidades imposs\xedveis, como nos diz o poema Solaris, ao citar a can\xe7\xe3o Errare humanum est, de Jorge Ben Jor, do \xe1lbum A T\xe1bua de Esmeralda (1974). E quando a viagem-proje\xe7\xe3o do poeta-piloto termina, porque as vozes do dia a dia o chamam para a bruta realidade, ocorre-lhe a tela azul, a interrup\xe7\xe3o radical da cria\xe7\xe3o po\xe9tica, imposta pelo prosa\xedsmo da vida, como quando o sistema do Windows tem a sua navega\xe7\xe3o abortada pela tela azul da morte. Mas, n\xe3o bem assim, porque essa cria\xe7\xe3o ainda continuar\xe1, s\xf3 que em segundo plano, e mesmo que o poeta n\xe3o chegue a se dar conta dessa fantasm\xe1tica atividade. O head-up display, portanto, entra na sua po\xe9tica como s\xedmbolo e met\xe1fora da sua viagem rumo a um mundo outro em que se projetam desejos, pensamentos, mem\xf3rias, sonhos, um mundo que n\xe3o existe sen\xe3o na fantasia do poeta, e que se sobrep\xf5e ao mundo real, fundindo imagens, formas, realidades, numa radical emula\xe7\xe3o do dinamismo caracter\xedstico do monitor head-up display.'