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b'Por mais de trezentos anos foram trazidos para a Am\xe9rica cerca de doze milh\xf5es de escravizados africanos, dos quais estima-se que quatro milh\xf5es vieram para o Brasil. A partir dessa pol\xedtica empreendida pelos colonizadores europeus, a escraviza\xe7\xe3o deixa de ter as antigas motiva\xe7\xf5es de guerras vencidas, d\xedvidas, crimes etc. para assumir um car\xe1ter essencialmente racista, passando a se dar pela cor da pele, pele negra. Se de um lado a escraviza\xe7\xe3o representava um neg\xf3cio lucrativo por ser, durante os per\xedodos colonial e imperial, a principal m\xe3o de obra, do outro, o escravizado jamais se conformou com tal situa\xe7\xe3o, empreendendo fugas, se organizando em quilombos e resistindo de todas as formas poss\xedveis, resist\xeancia que vai al\xe9m da aboli\xe7\xe3o formal da escravatura, permanecendo at\xe9 os dias atuais, na figura de seus remanescentes. Este livro faz o trajeto da escravatura, demonstrando que por tr\xe1s de sua naturaliza\xe7\xe3o est\xe1 o racismo institucional, que penetra as estruturas da sociedade e do Estado, impedindo o reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos e a consequente titula\xe7\xe3o de seus territ\xf3rios tradicionais. A pesquisa fundamentada em vasta literatura especializada e em dados oficiais evidencia com imensa clareza a\xe7\xf5es e omiss\xf5es de agentes p\xfablicos que podem ser interpretados como racismo institucional, na medida em que os conflitos se avolumam, enquanto os processos de titula\xe7\xe3o desses territ\xf3rios apresentam n\xfameros irris\xf3rios, afrontando o disposto no art. 68 do Ato das Disposi\xe7\xf5es Constitucionais Transit\xf3rios.'