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b'Vivemos em uma era marcada por um paradoxo inquietante. Nunca a humanidade esteve t\xe3o interligada por dispositivos e redes digitais, mas, paradoxalmente, nunca experimentou tamanha sensa\xe7\xe3o de incomunicabilidade. A promessa inicial da internet e das redes sociais era democratizar o acesso \xe0 informa\xe7\xe3o, aproximar povos, encurtar dist\xe2ncias e abrir portas para o di\xe1logo global. O discurso era sedutor: bastava estar conectado para participar da grande aldeia mundial. Entretanto, o que se revelou ao longo das \xfaltimas d\xe9cadas foi algo bem diferente. O mundo, embora aparentemente unido por fios invis\xedveis de dados e algoritmos, mergulhou em fragmenta\xe7\xe3o, isolamento e superficialidade.As redes sociais transformaram-se em sofisticadas armadilhas psicol\xf3gicas. Como uma arapuca cuidadosamente projetada, oferecem gratifica\xe7\xe3o imediata em forma de curtidas, seguidores, notifica\xe7\xf5es e pequenos est\xedmulos que ativam os circuitos cerebrais do prazer. Contudo, essa recompensa aparente vem acompanhada de um pre\xe7o alto: a perda da aten\xe7\xe3o plena, da capacidade de di\xe1logo profundo e da constru\xe7\xe3o de v\xednculos s\xf3lidos. O ser humano, que deveria ser protagonista de sua pr\xf3pria comunica\xe7\xe3o, tornou-se cada vez mais objeto manipulado por algoritmos que ditam o que deve ver, sentir e at\xe9 acreditar.'