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b'A originalidade cultural da regi\xe3o do Vale do Para\xedba expressa a presen\xe7a centro-africana - Congo e Angola - e \xe9 not\xe1vel ainda hoje em festas religiosas da regi\xe3o. Para encontrar os africanos escravizados na regi\xe3o, foram preciosas as fotografias de Marc Ferrez, elaboradas na segunda metade do s\xe9culo XIX, bem como estudos em demografia hist\xf3rica: censos, registros de batismos, de \xf3bitos etc. Enfim, dados num\xe9ricos, longe de tornar a an\xe1lise fria e formal, podem sensibilizar-nos para outros protagonismos. \xc9 poss\xedvel tamb\xe9m localizar tra\xe7os de culturas centro-africanas nas singularidades do catolicismo praticado no Vale do Para\xedba (delineado no s\xe9culo XIX e com prolongamentos ainda hoje). Essa tradu\xe7\xe3o expressou-se tamb\xe9m nas artes est\xe1tuas de santos n\xf3 de pinho e nas festas religiosas Festa do Divino Esp\xedrito Santo. Seus autores, africanos e descendentes, criaram e utilizaram-se delas em suas experi\xeancias de recriar \xc1fricas na di\xe1spora. Enfim, compreender como africanos escravizados tomaram para si elementos culturais que lhes foram impostos, traduzindo e criando \xc1fricas no Brasil, significa evidenciar novos sujeitos hist\xf3ricos e din\xe2micas sociais de criouliza\xe7\xe3o.'
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