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b'Zenda se reinventa a cada dia. \xc9 surpreendente, inquietante, viva mas, neste momento, vive sob o impacto de uma crise que parece tocar suas entranhas mais profundas. As for\xe7as que deveriam harmonizar o corpo pol\xedtico o Legislativo, o Judici\xe1rio e o Executivo j\xe1 n\xe3o dialogam. Falam em c\xf3digos distintos, ru\xeddos atravessam a comunica\xe7\xe3o institucional, e o pa\xeds fict\xedcio, reflexo n\xedtido de muitos reais, mergulha em divis\xf5es que dilaceram sua pr\xf3pria identidade.As casas legislativas de Zenda foram ocupadas por seus pr\xf3prios representantes n\xe3o para legislar, mas para protestar. Um grupo expressivo de parlamentares se insurge contra decis\xf5es do Judici\xe1rio, em uma cena que mais parece teatro de espelhos quebrados: cada ator denuncia o outro como inimigo da liberdade, enquanto o p\xfablico o povo assiste at\xf4nito, dividido, cansado.O que espanta, e talvez revele o paradoxo mais profundo, \xe9 o deslocamento simb\xf3lico das ideologias. A direita de hoje clama por pautas que, at\xe9 pouco tempo, pertenciam \xe0 esquerda. J\xe1 a esquerda ao menos parte dela assume pr\xe1ticas e posturas que lembram a direita autorit\xe1ria de 1964. \xc9 como se o tempo dobrasse sobre si mesmo, e Zenda, perdida nesse labirinto, j\xe1 n\xe3o soubesse mais quem \xe9 quem.H\xe1 ainda, \xe9 verdade, uma esquerda fiel a princ\xedpios humanistas e democr\xe1ticos, mas ela parece cada vez mais isolada, cercada de ex-aliados que se comportam como herdeiros da velha Arena: abra\xe7am o Judici\xe1rio como for\xe7a salvadora e entregam nas m\xe3os da toga'