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b'Ao final do s\xe9culo XX, a completa opress\xe3o estatal come\xe7a a tomar forma atrav\xe9s de umas poucas mentes privilegiadas, cheias de ideias "bondosas" para imp\xf4-las ao restante do planeta. Opress\xe3o, mas com nome bonito e exercida de forma democr\xe1tica, legal e sorridente em um mundo controlado de cabo a rabo, formigueiro planificado em seus m\xednimos detalhes, sem que as pr\xf3prias formigas desconfiem de tanta alegria, com todos vivendo "felizes para sempre". Alguns, por\xe9m, resistem e continuam a preferir a velha liberdade, a paix\xe3o, a poesia e, por que n\xe3o, o supremo "pecado" da indiferen\xe7a. O sistema come\xe7a a usar as nascentes tecnologias do celular e da Internet para, de um lado, "garantir felicidade e seguran\xe7a \xe0 popula\xe7\xe3o" e, de outro, discretamente, control\xe1-la sob todos os aspectos, visando impedir rebeli\xf5es ou ideias que coloquem em risco o formigueiro. Mas h\xe1 um rasgo neste Cobertor: um poeta talentoso decide lutar por sua vidinha frugal e livre contra o sistema frio, impessoal, invis\xedvel, que tenta lhe cooptar com promessas v\xe3s de fama, fortuna e penduricalhos tecnol\xf3gicos para torn\xe1-lo manso e "satisfeito". Obra dist\xf3pica que traduz a eterna luta do indiv\xedduo contra o coletivo, da paix\xe3o contra a raz\xe3o, da anarquia contra o previs\xedvel. Pesadelo a arrastar o personagem central para as entranhas do poder, sem que ele sequer perceba os inimigos que o cercam. Um libelo contra todo totalitarismo disfar\xe7ado de democracia, com sua burocracia abarrotada de cerceadores da Liberdade.'