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b'Este trabalho parte da hip\xf3tese de uma nova leitura de Jo\xe3o Cabral de Melo Neto, em espec\xedfico, de uma obra: Museu de Tudo (1975). A constru\xe7\xe3o de Museu de Tudo como um apanhado de poemas arquivados sugere a constru\xe7\xe3o de um jogo sistem\xe1tico entre eles, em linha reta ou n\xe3o. A obra \xe9 composta por oitenta poemas, sendo o quadrag\xe9simo poema intitulado Duplo D\xedptico, trazendo a ideia de uma estrutura\xe7\xe3o que se comunica entre si por dobras e desdobras. Poemas como D\xedptico e Duplo D\xedptico fornecem ind\xedcios para nossa hip\xf3tese de leitura atrav\xe9s de uma dobra que divide os oitenta poemas ao meio quando colocados em um quadro geral. A hip\xf3tese aqui \xe9 de uma leitura da dobra central, funcionando como um espelho que conecta os poemas dessa base-centro, que se dobra. Partindo dessa teoria, estabeleceremos conex\xf5es simb\xf3licas e hermen\xeauticas que surgem da constru\xe7\xe3o memorial do poeta, perpassam a arquitetura e o urbanismo moderno, e chegam at\xe9 a literatura, o barroco, a dan\xe7a flamenca e o futebol. Museu de Tudo, ao refletir uma organiza\xe7\xe3o tem\xe1tica que exterioriza uma esp\xe9cie de materializa\xe7\xe3o entre vida e obra de Jo\xe3o Cabral, nos remete \xe0 condi\xe7\xe3o de compreender esse livro como um projeto est\xe9tico e cr\xedtico espec\xedfico dentro do conjunto da obra do poeta pernambucano.'