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b'Este n\xe3o \xe9 um livro sobre a c\xf3lera - \xe9 sobre o Brasil que a deixou acontecer. L\xe1grimas, Valas e Ladainhas \xe9 uma travessia liter\xe1ria e documental pelas entranhas do s\xe9culo XIX, onde a peste asi\xe1tica, mais do que microrganismo, tornou-se met\xe1fora de um Estado omisso, de uma medicina seletiva e de um povo condenado ao esquecimento.A partir de manuscritos raros, of\xedcios oficiais e cr\xf4nicas silenciadas, Elisandro Carvalho transforma arquivos em testemunhos vivos, desenterrando as vozes dos que sucumbiram sem nome, sem reza, sem l\xe1pide - mas n\xe3o sem hist\xf3ria. No sert\xe3o cearense, entre Saboeiro, Jardim, Crato e Miss\xe3o Velha, o autor ergue uma topografia da morte e do abandono, revelando que a c\xf3lera matou mais pela neglig\xeancia do que pelo vibrio.Com estilo que mescla erudi\xe7\xe3o historiogr\xe1fica e lirismo tr\xe1gico, esta obra denuncia o higienismo racista, os lazaretos que mais isolavam do que tratavam e o sil\xeancio que se imp\xf4s \xe0s mulheres, aos negros e aos pobres. Um espelho retrovisor que ilumina o presente com a crueza do passado, num tempo em que pandemias ainda selecionam seus mortos por classe, cor e CEP.Este livro \xe9 um grito que atravessa s\xe9culos, clamando mem\xf3ria onde s\xf3 havia esquecimento. Um rito de justi\xe7a para os que morreram duas vezes de c\xf3lera e de sil\xeancio.'
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