Formação Em Psicologia E População Em Situação De Rua: Saberes E Fazeres Em Salvador E São Paulo | Renan Vieira De Santana Rocha (organizador)
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b'Forma\xe7\xe3o Em Psicologia E Popula\xe7\xe3o Em Situa\xe7\xe3o De Rua: Saberes E Fazeres Em Salvador E S\xe3o Paulo'
b'Clube de Autores'

Libro disponible en 5 dias hábiles.

Páginas: 166
Precio: 929.5
Estado: b'Nuevo'
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  • Nombre: Formação Em Psicologia E População Em Situação De Rua: Saberes E Fazeres Em Salvador E São Paulo | Renan Vieira De Santana Rocha (organizador)
  • Editorial: Clube de Autores
  • Ttipo: Book
  • Publicado: 2024 / 04 / 11
  • Código: 9786599630507

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Formação Em Psicologia E População Em Situação De Rua: Saberes E Fazeres Em Salvador E São Paulo | Renan Vieira De Santana Rocha (organizador)
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b'Renan Vieira De Santana Rocha (organizador)'
b'Forma\xe7\xe3o Em Psicologia E Popula\xe7\xe3o Em Situa\xe7\xe3o De Rua: Saberes E Fazeres Em Salvador E S\xe3o Paulo'
b'Clube de Autores'

Libro disponible en 5 dias hábiles.

Páginas: 166
Precio: 929.5
Estado: b'Nuevo'
Peso: 0.314 kgs.
ISBN: b'9786599630507'

b'A forma\xe7\xe3o em Psicologia, hoje, \xe9 amplamente atravessada pelas quest\xf5es que envolvem a luta por Direitos Humanos (DH) e Pol\xedticas P\xfablicas (PP) que efetivamente atendam \xe0s necessidades da popula\xe7\xe3o brasileira. Contudo, isto se d\xe1 pelo reconhecimento de que partimos, historicamente, de uma Psicologia endurecida, forjada na Ditadura Civil-Militar Brasileira, pouco afeita \xe0s quest\xf5es mais progressistas. \xc9 do lugar de uma repara\xe7\xe3o hist\xf3rica ante os eventos de nosso passado que, portanto, estamos a falar.Paralelamente, os estudos sobre a quest\xe3o da ra\xe7a e da sa\xfade no Brasil tamb\xe9m fazem provoca\xe7\xf5es \xe0 Psicologia, quando compreendem o lugar da antropometria e da frenologia no Brasil e no pensamento psicol\xf3gico primordial sobre tais quest\xf5es, em que o negro fora constitu\xeddo como sujeito naturalmente degenerescente, tendente \xe0 criminalidade e \xe0 loucura, sendo necess\xe1rio limpar o gene nacional todas express\xf5es dos ditos estudos do racismo cient\xedfico dos s\xe9culos XIX e XX em nosso pa\xeds. Estes pensamentos criaram a base de projetos jur\xeddico-institucionais nacionais, por exemplo, voltados ao encarceramento, \xe0 exclus\xe3o e \xe0 marginaliza\xe7\xe3o da popula\xe7\xe3o negra: criminalizou-se a capoeira, o samba, as feiti\xe7arias (nome pejorativo dado \xe0s religi\xf5es de matriz africana), a vadiagem, etc. Isto resultou em processos como o encarceramento em massa da popula\xe7\xe3o negra nas pris\xf5es, mas tamb\xe9m nos manic\xf4mios e ao seu deslocamento compuls\xf3rio para o espa\xe7o das ruas, seja na express\xe3o de ocupa\xe7\xf5es, seja na express\xe3o do viver na rua propriamente dito.Logo, com tais afirma\xe7\xf5es, queremos postular duas coisas que s\xe3o pilares para o que se ver\xe1 nesta obra: (1\xba) a base de forma\xe7\xe3o da popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua brasileira \xe9 total e absolutamente racializada; (2\xba) o pensamento psicol\xf3gico nacional produzido no s\xe9culo XX produziu e/ou colaborou com tal forma\xe7\xe3o, o que nos coloca o compromisso irrevog\xe1vel de, desta forma, debru\xe7armo-nos na produ\xe7\xe3o de saberes e fazeres psicol\xf3gicos cr\xedticos, contempor\xe2neos e contextualizados com as necessidades hist\xf3ricas e atuais de nosso povo. Pensar a Psicologia atenta e preparada para a atua\xe7\xe3o com a popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua, ent\xe3o, configurar-se-\xe1 como um dever \xe9tico-pol\xedtico em nossa profiss\xe3o.Com a pandemia do novo coronav\xedrus, isto se destaca ainda mais. Se tomarmos a cidade de S\xe3o Paulo como exemplo anal\xedtico, veremos que, em pesquisa produzida pela Prefeitura, em 2020, constatou-se que os homens constituem 85% das pessoas em situa\xe7\xe3o de rua na capital paulista; e, deste total, 70% s\xe3o pessoas negras. Desta forma, o homem negro, com m\xe9dia de 31 a 49 anos, \xe9 o perfil principal da pessoa em situa\xe7\xe3o de rua neste cen\xe1rio, que \xe9 constitu\xeddo por um total de 24.344 pessoas nestas condi\xe7\xf5es, 60% superior ao identificado em 2015, contingente que \xe9 32% superior ao previsto pela Prefeitura para o per\xedodo. J\xe1 no Rio de Janeiro, que tamb\xe9m tomaremos como exemplo, por ter sido a \xfanica capital a produzir dados sobre esta quest\xe3o durante a pandemia, em 2021, veremos que 31% das pessoas identificadas est\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua h\xe1 menos de um ano, sendo 64% destes por perda de trabalho, moradia ou renda; portanto, durante a pandemia do novo coronav\xedrus. Isso representa um aumento de 20% do contingente, em um intervalo de 1 ano e 3 meses, e deve servir como um alerta de que esta quest\xe3o, inequivocamente, se tornar\xe1 mais agravada ao longo dos pr\xf3ximos anos, e demandar\xe1 da sociedade, e das diferentes profiss\xf5es da sa\xfade, a capacidade de lidar com a problem\xe1tica em tela de maneira eficaz, eficiente, efetiva e contextualizada hist\xf3rica e contemporaneamente com a sociedade brasileira.E o que tudo isso provoca \xe0 Psicologia? A necessidade de pensar, profissional e academicamente sobre o tema; a capacidade de atuar na \xe1rea, de forma cr\xedtica e atenta a estas vari\xe1veis; a observa\xe7\xe3o de que o cuidado \xe0 popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua, quando pensamos estas quest\xf5es no bojo dos DH e das PP, tem algo de sui generis, pelo (des)lugar da popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua; e a urgente compreens\xe3o/constata\xe7\xe3o de que \xe9 imposs\xedvel cuidar clinicamente de pessoas em situa\xe7\xe3o de rua sem essa perspectiva cr\xedtica; l\xf3cus em que esta obra, simultaneamente, se justifica e se localiza.No primeiro cap\xedtulo da obra, de autoria de Souza Alves, Rocha e Rodrigues, vemos uma agu\xe7ada discuss\xe3o sobre a forma\xe7\xe3o da cidade de Salvador e sobre como esta forma\xe7\xe3o produziu a popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua a partir das contradi\xe7\xf5es inerentes ao processo de urbaniza\xe7\xe3o dos grandes centros urbanos, evidenciando, inclusive, os atuais processos de revitaliza\xe7\xe3o dos centros como justificativas para a continuada exclus\xe3o e marginaliza\xe7\xe3o das pessoas em situa\xe7\xe3o de rua, expulsas dos centros para a dire\xe7\xe3o das margens das cidades. Encontra coro na discuss\xe3o presente no segundo cap\xedtulo da obra, de autoria de Paix\xe3o, Rocha e Rodrigues, em que se articula a discuss\xe3o sobre o racismo estrutural como constituinte hist\xf3rico da forma\xe7\xe3o da popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua salvadorense e brasileira, e em que somos provocados, a partir dos estudos de Ign\xe1cio Mart\xedn-Bar\xf3, sobre como a conscientiza\xe7\xe3o e o aquilombamento desta popula\xe7\xe3o s\xe3o importantes processos no sentido de sua liberta\xe7\xe3o e da qualifica\xe7\xe3o dos cuidados em Psicologia.Nos terceiro e quatro cap\xedtulos da obra, vemos essa discuss\xe3o transpor-se, com maior intensidade, para as vari\xe1veis que a pandemia do novo coronav\xedrus impuseram diante dos modos de cuidado, em Psicologia, \xe0 popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua e seus familiares. O texto de Carvalho, Santiago, Rocha e Rodrigues debru\xe7a-se sobre uma interessante experi\xeancia de uso dos recursos de comunica\xe7\xe3o, na pandemia, para o desenvolvimento de a\xe7\xf5es de redu\xe7\xe3o de danos em Salvador, pensando poss\xedveis reinven\xe7\xf5es do saber-fazer psicol\xf3gico. Iguais reinven\xe7\xf5es, desta feita, veremos no texto de Lima, Rocha e Rodrigues, em que abordar-se-\xe1 sobre novos modos de cuidar de familiares de pessoas em situa\xe7\xe3o de rua por meios remotos, postas limita\xe7\xf5es de circula\xe7\xe3o e aglomera\xe7\xe3o impostas pela pandemia ora vivenciada, destacando um caso acompanhado tamb\xe9m na capital baiana.Fechando a obra, transitamos das experi\xeancias desenvolvidas em Salvador para experi\xeancias desenvolvidas em S\xe3o Paulo, destacadamente a partir de um Servi\xe7o Especializado de Abordagem Social (SEAS) e de um Centro de Acolhida (CA). No texto de Bernardo, Nascimento, Mendes e Rocha teremos um vislumbre de poss\xedveis modos de cuidado n\xe3o direcionados diretamente a usu\xe1rios e/ou familiares dos servi\xe7os, mas aos seus pr\xf3prios t\xe9cnicos, no tocante a como estes vivenciam o cuidado a pessoas em situa\xe7\xe3o de rua e a como estes podem, tamb\xe9m, se (auto)cuidarem. J\xe1 no texto de Figueiredo, Cabral, Febraio e Rocha, que fecha a presente obra, veremos importantes contribui\xe7\xf5es sobre como os estere\xf3tipos constru\xeddos sobre a popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua podem figurar como impeditivos \xe0 oferta de um cuidado efetivamente comprometido com uma perspectiva cr\xedtica e emancipat\xf3ria em Psicologia erigindo desafios que, cremos, cabem a toda Psicologia se questionar.Ao cabo e em s\xedntese, cumpre-nos dizer que a presente obra \xe9, portanto, fruto de seis experi\xeancias desenvolvidas em est\xe1gios na \xe1rea de Psicologia, o que aponta a presente colet\xe2nea como um esfor\xe7o de (re)afirmar a relev\xe2ncia desta discuss\xe3o em um lugar que tomamos por essencial: a forma\xe7\xe3o acad\xeamica e profissional de psic\xf3logas e psic\xf3logos. Se entendermos este lugar como espa\xe7o privilegiado de produ\xe7\xe3o de boas pr\xe1ticas, poderemos construir profissionais que, em sua pr\xe1tica, produzam muito mais sa\xfade e bem-estar do que revitimiza\xe7\xe3o e estigma fen\xf4menos estes \xfaltimos com os quais a popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua j\xe1 lida cotidianamente. Assumindo, assim, o relato de experi\xeancia como m\xe9todo basilar, apostamos no compartilhamento de boas pr\xe1ticas como horizonte formativo emancipat\xf3rio, e esperamos, verdadeiramente, que este seja um manifesto pelo bom cuidado em Psicologia junto \xe0 popula\xe7\xe3o em situa\xe7\xe3o de rua no Brasil. Por tudo isto, boa leitura!'