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b'O objetivo deste livro \xe9 analisar a necessidade da institui\xe7\xe3o do Estado Civil no interior do pensamento filos\xf3fico de Immanuel Kant. Para o cumprimento de tal tarefa \xe9 necess\xe1rio perpassar pelo conceito de vontade imperfeita, cujo \xe2mbito de incid\xeancia se d\xe1 em todos os homens, e que nos impede de seguir de modo infal\xedvel os ditames da raz\xe3o pr\xe1tica pura, implicando na seguinte consequ\xeancia: quando agimos com o intuito de satisfazer nossos pr\xf3prios interesses, isto \xe9, quando cedemos a nossos pr\xf3prios desejos e inclina\xe7\xf5es, impossibilitamos, por conseguinte, a liberdade externa dos outros indiv\xedduos e a coexist\xeancia pac\xedfica dessa liberdade externa na vida em sociedade. Desse modo, imp\xf5e-se a seguinte quest\xe3o: como possibilitar a vida em sociedade, garantindo a liberdade externa dos indiv\xedduos e a coexist\xeancia livre entre arb\xedtrios alheios? Haveria algum tipo de m\xf3bil capaz de conduzir minha vontade imperfeita, possibilitando, por conseguinte, a coexist\xeancia livre entre arb\xedtrios alheios? Ora, a resposta proposta em conformidade com a an\xe1lise do texto kantiano \xe9 a de que tal garantia da liberdade externa s\xf3 se efetivar\xe1 com o advento do Estado Civil ou Direito P\xfablico, visto que s\xf3 este Estado possui um m\xf3bil capaz de conferir tal garantia, a saber, a coer\xe7\xe3o. Assim, com vistas a auferir a coexist\xeancia em liberdade entre arb\xedtrios alheios, ter-se-\xe1 como necess\xe1ria a transi\xe7\xe3o do Estado de Natureza para o Estado Civil.'