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b'O autor humaniza, n\xe3o romantiza a pobreza. Existe uma grande dist\xe2ncia entre essas duas vis\xf5es. Romantizar a pobreza, caracter\xedstica hegem\xf4nica em nossas telenovelas, traz em si o ran\xe7o de uma vis\xe3o nobili\xe1rquica, fruto de uma sociedade estratificada, onde \xe9 confort\xe1vel se apiedar dos menos favorecidos. O que Carlos Alberto Brand\xe3o faz \xe9 retratar a pobreza com tintas exatas. Nem exageradas, nem amenas demais. As tintas do humanismo crist\xe3o, que resgata uma cosmovis\xe3o presente na mensagem expressa em Mateus, 6. Cada personagem \xe9 retratado nos seus pequenos dramas cotidianos, seus medos, sonhos e amores.O cen\xe1rio que resulta desse delicado trabalho de tecel\xe3o ao qual o autor se disp\xf4s, \xe9 vibrante, belo, tr\xe1gico.Assunta, a protagonista, parece sa\xedda de uma das trag\xe9dias de \xc9squilo ou S\xf3focles, re\xfane em si diferentes for\xe7as que, apesar de opostas, nela se complementam, a for\xe7a e a fragilidade. Do mesmo modo, seus pais, Manuel e Imaculada, s\xe3o, emprestando as palavras de Nietzsche, humanos, demasiadamente humanos.Essa \xe9 a uma hist\xf3ria para se ler num s\xf3 f\xf4lego e depois retornar em cada um dos seus par\xe1grafos, p\xe1ginas, cap\xedtulos, para dialogar com intimidade com seus personagens t\xe3o ricos e revisitar as nuances do quadro social, ricamente retratado pelo autor.'
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