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b'Nosso destino e nossas vontades correm por sendas t\xe3o contr\xe1rias, que nossos planos quase sempre s\xe3o derrubados. Os desejos s\xe3o nossos, seus fins n\xe3o nos pertencem. (Shakespeare)\nQuando analisamos as rela\xe7\xf5es de poder no Estado brasileiro, constatamos que a vida, algumas vezes, parece imitar a arte. Nesse caso, embora a Constitui\xe7\xe3o Federal verbalize que todo poder emana do povo e que seu exerc\xedcio d\xe1-se, prioritariamente, por interm\xe9dio de representantes eleitos, os bastidores de nossa hist\xf3ria denunciam o verdadeiro dono desse poder. Trata-se de um sistema consolidado, autorreferente, altamente adapt\xe1vel \xe0s crises de desprest\xedgio e desmoraliza\xe7\xe3o e capaz de reproduzir os elementos necess\xe1rios \xe0 sua pr\xf3pria sobreviv\xeancia. Plat\xe3o, Bobbio, Faoro, Mosca, Schwartzman e Carnelutti s\xe3o alguns dos pensadores referenciados, e, ao fim e ao cabo, pretende-se demonstrar que o fen\xf4meno da infla\xe7\xe3o legislativa integra esse sistema. Voc\xea sabe o que \xe9 cidadania? Acaso temos liberdade para escolher nossos representantes? A macroarquitetura constitucional est\xe1 amea\xe7ada? H\xe1 esperan\xe7a para nosso futuro, ou persistiremos resignados ante o aparelhamento do Estado?\nBoa leitura...'
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